DIRECÇÃO E GESTÃO em hotelaria -
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Para gerenciar bem é necessário conhecer bem o ser humano
e saber gerenciar pesoas. Elas são o motor do negócio.
Criar padrões
saudáveis.
É bom acreditar que
a maioria das dificuldades de relacionamento são devidas a uma dinâmica
negativa entre pessoas, em vez de achar que se está falando com alguém
unilateralmente "mau". Pode acontecer que se estejam repetindo
padrões negativos de interação que conduzem a relacionamentos conflitantes;
mudar a nossa réplica pode modificar essa rotina, e dar uma resposta positiva
para melhorar as chances de um padrão mais saudável de relacionamento.
Além disso, daremos
ainda algumas habilidades de comunicação saudável para lembrar.
Ver sempre o melhor
nas pessoas
Tente olhar para os
aspectos positivos dos outros, especialmente quando se tratar da família ou dos
colegas de trabalho, e se concentrar neles. As pessoas vão se sentir
valorizadas, e você provavelmente vai desfrutar de um melhor ambiente quando
estiverem juntos. E lembre-se de que ver o melhor em alguém é importante, mas
também é importante não buscar os traços negativos da outra pessoa que
eventualmente até existem, pois não há pessoas sem defeitos.
Nunca conte os seus segredos como uma forma de aproximação
Se necessitar de
suporte psicológico, procure encontrá-lo, mas não pense nunca que outros são
capazes de atender às suas necessidades nesse campo. Contar os seus segredos
para o amigo de hoje, é municiar o que pode ser o seu inimigo amanhã. Confie
apenas em pessoas que já provaram ser de confiança e de apoio, ou encontre um
bom terapeuta se precisar deste tipo de recurso. Isso o ajudará a encontrar o
caminho certo para remover uma fonte de conflito. Se a outra pessoa usa o
momento de estar perto de você, para antagonizá-lo, minimizar o contacto pode
ser a chave. Se forem continuadamente abusivos, é melhor cortar os laços e
deixá-los saber o porquê. Se o ofensor for um chefe ou colega de trabalho, a
mudança de emprego pode ser considerada, se outras soluções não forem
possíveis.
Como entender melhor
as pessoas
Não é necessário
ter uma licenciatura em psicologia para entender as pessoas. As ferramentas
estão disponíveis para todos. Tudo o que é necessário é ouvir, mostrar
interesse atento, e dar respostas adequadas.
A conversa, de uma
maneira geral, serve para acertar arestas, mas deve ser conduzida para obter ou
dar informações ou para um ganho psicológico.
É importante
compreender as necessidades psicológicas que regem a comunicação humana.
As pessoas
conversam para satisfazer quatro necessidades comuns:
·
necessidade
de atenção (importância),
·
necessidade
de conexão (amizade, intimidade),
·
necessidade
de valorização (sentido de valor, aumento da autoestima),
·
necessidade
de participação (ser parte de um grupo).
Uma vez que
entendemos o que impulsiona o discurso interpessoal, é mais fácil entender o
que as pessoas precisam e como ajudar. A maioria das pessoas gosta de atenção e
de ser escutado. A atenção confirma que se é importante para o ouvinte. Afirma
o valor próprio e cria uma sensação de bem-estar. Todos teremos já sido testemunhas
de como algumas pessoas disputam uma oportunidade de contar a sua história e ter
outros concentrados nas suas palavras. Alguns gostam de contar histórias
engraçadas, anedotas ou casos fascinantes para manter o interesse dos seus ouvintes.
Outros escolhem recitar as suas falhas, infortúnios ou má sorte, para capturar
não só a atenção, mas também a solidariedade. Quando se fala para estabelecer
uma conexão, não se busca apenas a atenção, mas também uma reação de
sentimentos compartilhados, pensamentos ou experiências.
Conversas com novos
amigos são muitas vezes missões exploratórias para detectar áreas de interesse
comum. "Onde cresceu? Onde foi a sua escola? Estava no ambiente da
faculdade, exército, ou trabalho semelhante ao meu?" Uma vez que um ponto
de convergência é encontrado, um “parentesco” é estabelecido sobre o qual uma
amizade pode se desenvolver. Se a amizade evoluir, a intimidade pode florescer
também. A consideração positiva das pessoas reforça a autoestima e fortalece
emocionalmente.
Mesmo aqueles que
estão muito seguros de si sentem necessidade de confirmação externa da sua
autoestima interna. Algumas vezes o discurso é flagrante na sua busca pelo
elogio. "Eu só pego o maior peixe", "O meu chefe diz que eu sou
o melhor funcionário que teve nos últimos vinte anos". Embora estes
comentários possam soar como uma forma de se gabar, eles são realmente emissões
claras para admiração. Pertencer a um grupo é outra grande necessidade humana.
Sentimo-nos mais seguros, protegidos e tratados dentro do nosso grupo. Há
grupos de serviços, grupos de hobby, grupos recreativos, grupos familiares,
grupos religiosos, grupos nacionais e muitos outros. Infelizmente, no intuito de
fortalecer a integração, alguns grupos recorrem a desenvolver uma postura de superioridade
sobre os outros.
A linguagem
utilizada por membros de um grupo serve para aumentar a sua força, valor e
orgulho. "Nós crescemos juntos, somos os melhores." Eles estão
abertos à divulgação, mesmo sem a intenção de fazê-lo. Uma vez que cada pessoa
só é capaz de se conhecer a si mesma, a declaração feita por cada indivíduo
representa as ideias dessa pessoa, os seus valores e a sua individualidade. Ele
apresenta uma história positiva ou negativa para obter atenção? Ele se
desvaloriza ou exagera a sua força? O ponto de vista de outras pessoas é-lhe
favorável ou não? Ele procura distinção descontando nos outros?
O prazer da
apresentação é indicativo da autoimagem de cada indivíduo. Para chegar a compreender
melhor as pessoas, é preciso conhecer as motivações comuns para trocas verbais.
É preciso estar disposto a ouvir com atenção e respeitosamente o autofalante. É
preciso evitar críticas ao aceitar que se trata de um individual e que a
opinião de cada um deve ser respeitada. Este indivíduo nos escolheu para
atendimento da sua necessidade de convivência. Se pudermos detectar a
necessidade por trás das palavras e fornecer uma resposta adequada, sairemos
também enriquecidos. O processo de ouvir
e responder bem é um processo que exige concentração completa sobre a outra
pessoa, com o abandono temporário das necessidades próprias. Através da melhor
compreensão dos outros, podemos nos entender melhor a nós próprios, e podemos
ajudar a criar uma ligação mais aproximada e receptiva entre as pessoas.
Veja algo mais
sobre este assunto no meu livro Introdução à Hotelaria, no Capítulo – Conhecer
o Homem, em Relações Humanas.
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